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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

COISAS DO SERTÃO



Dois irmãos em férias, amantes da pesca, decidiram dar um passeio

pelo interior do país. De posse do equipamento necessário, partiram

certa manhã com destino à Barra do Garça-MT, onde o tio possuia

uma fazenda. Acomodaram-se no rancho do pesqueiro; uma constru

ção de tijolos, pequena e modesta. Ambiente preservado, belezas na

turais inigualáveis. Divertiam-se com a variedade e fartura da pesca

ria. Andavam por toda parte, contemplando um mundo que até en

tão desconheciam; uma natureza ainda intocada. Isso tudo sem con-

tar a tremenda higiene mental que faziam. O tempo em que lá per

maneceram, souberam aproveitá-lo bem. Não obstante, um episódio

triste fora tambem presenciado, infelizmente. Ocorreu numa tarde,

logo após o almoço, quando saíram à procura de quem negociasse

pequenos animais silvestres. Pelo caminho iam vendo os ranchos, os

casebres, bem como casas simples, do nível da que se hospedavam..

Passando em frente a uma delas, perceberam que o clima era de fes

ta. Havia várias pessoas, na maioria crianças, alem de alguns veícu

los estacionados. Através da janela, viram sobre a mesa um bolo en

feitado, com uma velinha número 8 na superfície.. Alguma criança

aniversariava. Notando os estranhos do lado de fora, uma garotinha

veio em direção, perguntando-lhes quem eram.. Somos pescadores,

viemos conhecer o Mato Grosso. E voce, quem é? Sou irmã do meu

irmão qui tá fazendo aniversário. Daqui há pouco trago dois pedaços

de bolo. Obrigado pela gentileza, disseram. Em seguida a menina cor

reu prá dentro. Logo surgiu um garoto, pondo-se em pé diante do

bolo. Cabelos ainda úmidos, penteados à moda americana, vestia ca

misa de mangas compridas, gravata borboleta, calças curtas, sapa

tos escuros e meias brancas. Do lado de fora os irmãos observavam

a cena. Reunidos ao redor da mesa, um deles acendeu a velinha. En

quanto cantavam parabéns, subitamente o menino levou as mãos

ao peito, desfalecendo...vítima de colapso. Uma reação instintiva fê-

los abandonarem o local. Algum tempo depois chegaram a um vila

rejo. Iam perguntando às pessoas se conheciam no lugar alguem

que vendesse bichos do mato. Informados de que em tal Rua mora

va um caçador, para lá se dirigiram. Chegando à casa, bateram pal

mas. Pela lateral externa, veio dos fundos um macaco, vestindo cal

ção e camisa de mangas curtas, com um maço de quebrapeito e

uma caixa de fósforos no bolso. Com seu andar típico, aproximava-

se batendo o dorso dos dedos na parede, como um ser humano...

Trepou no portão, ergueu o trinco, e com o pé apoiado na mureta

deu impulso para abrí-lo. Os dois entreolharam-se...perplexos. Co

mo não entravam, o animal timidamente fez despontar os olhos de

trás da madeira. Tudo é possível, disse um deles, e entraram. Iam

na frente...e o bicho educadamente os acompanhava. Na varanda,

várias pessoas sentadas ao redor de uma mesa farta. Arroz, feijão,

carne, batata, verduras, vidros de pimenta, garrafas de pinga, cer

veja, refrigerante... Sintam-se em casa, disse um deles. Estão che

gando na hora certa. Sentimo-nos gratos pela cordialidade; é que

acabamos de almoçar nesse instante. Estamos procurando um ca

sal de araras, e nos informaram que aqui mora um caçador. Sou...

eu..mesmo! Só que no momento não disponho de nenhum; agora

não é época. Teriam que voltar mais próximo do final do ano. Não

sabemos se será possível. Estamos a passeio; moramos muito lon

ge daqui. Mesmo assim agradecemos-lhe mais uma vez a atenção,

tendo sido um prazer conhecê-los. Despediram-se em seguida......

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