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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

CONTOS CURTOS (fantasia)


SONHO AZUL

Vamos..filhos! Já passa da hora de dormir, disse o pai ao casalzinho:

um menino de oito anos e a garotinha de cinco. Exaustos, após longo

dia de praia, adormeceram rapidamente. Em sonho, a pequena viu-se

num barco, acompanhada pelo pai e pelo irmão. Desciam por um rio

largo e caudaloso, margeado por densa mata virgem..lembrando algum

interior de sertão. Apontando com a mão, o piloteiro ia mostrando a bi-

charada: tucanos, araras, macacos, bandos de capivaras, jacarés, etc..

Divertiam-se naquele paraíso colorido, apesar do forte calor.

À certa altura do passeio, o guia desviou o barco em direção à margem.

Aportou num local onde havia vários arbustos. Uma área grande, que

aos poucos se afunilava, indo dar numa vereda que conduzia ao interior

da mata. Parei para lhes mostrar algo interessante, disse o matuto.

Chamando-lhes à atenção, apontou para um arvoredo sem folhas.

Cravado na galhada, um cacho de abelhas enorme. Podemos ve-lo de

perto; são inofensivas, desde que não provocadas. Uma casa de abelhas

daquele porte!?! Bem próximos, puderam presenciar bela manifestação

da natureza. Momentos antes, havia chovido torrencialmente. A intensa

luz solar vinda de oeste, contrastando com o céu ainda escuro ao fundo,

intensificava as cores e o brilho da vegetação, bem como o das gotas d'água;

o mesmo ocorrendo com o mel que escorria dos orifícios, pingando no chão...

em virtude da alta temperatura. A garota, muito observadora, percebendo

várias abelhas atoladas no líquido derramado, perguntou ao pai: Como pode,

afogar-se no fruto da própria labuta?

Seguiram depois pela vereda. Aos poucos ia caindo a tarde, até que se fez noite.

Continuaram a caminhada. No horizonte, despontava o imenso círculo vermelho

da lua cheia. No coração da selva, embora noite, o forte luar permitia boa visão.

Em dado momento, o caipira pediu-lhes que parassem. Agora veremos uma

irmandade em harmonia. Os tres entreolharam-se surpresos. Continuemos de-

vagar para não assustá-los, disse-lhes. Logo adiante havia uma pequena clareira

à esquerda do caminho; de solo arenoso e alvo, como as praias. Uma nascente nas

imediações fazia com que a límpida água escorresse através de um leito raso e es-

treito, que cincundava parte do local, continuando depois seu curso em direção ao

interior da floresta. À beira do regato, pés de banana d'água estavam repletos de

macaquinhos, regalando-se com os frutos. Pela transparência da água via-se car-

dumes de peixinhos multicores. Veadinhos pastavam na vegetação próxima. Ara-

ras e papagaios alimentavam-se de brotos no alto dos coqueiros. No interior da cla-

reira, uma linda borboleta azul, pousada na orelha de uma pantera negra, abria e

fechava as asas. Contemplaram a cena por longo tempo, retornando ao barco pouco

antes do alvorecer. Quando acordou, contou ao pai e ao irmão o que vira...

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