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terça-feira, 27 de outubro de 2009

ACERTO DE CONTAS


Um dos planos da Máfia, malogrou, face a informações reveladas por membro da própria

organização. Após investigações, acabaram descobrindo o culpado; não tardando sua loca

lização. Vivia noutro país, numa bela chácara, provavelmente adquirida com o fruto da

traição. Bem cercada, possuia um pomar variado: hortas, viveiros de mudas, etc. Uma ca

sa na parte central e um cômodo próximo, destinado a serviços. Alguns arbustos ao redor

e dois cães de guarda. Na parte sul o terreno declinava até limitar-se com um riacho raso

e não muito largo. Em seguida um barranco coberto por capim dava acesso à calçada de

uma avenida marginal.

Elaborado o plano e marcada a data, escolheram quem melhor pudesse executá-lo: uma

mulher de meia idade, que já havia servido à organização em tarefas semelhantes. Trazi

da à cidade com relativa antecedência, acomodou-se numa modesta casa de bairro.Muni

da dos apetrechos necessários, restava-lhe pensar na forma mais adequada, e começar o

trabalho. Saiu certa tarde levando camarões frescos e algumas bugigangas numa sacola.

Andava devagar pela calçada à procura dos cães. Nada conseguira naquele dia. Repetiu

as tentativas com frequência a não levantar suspeitas. Até que em determinado dia, já

praticamente escuro, viu um deles rondando próximo à cerca. Continuando no lento cami

nhar, atirou um camarão, observando o comportamento do animal. Ao ouvir o som quando

bateu no chão, foi em direção, farejando...Pelo movimento notou que comia. Rapidamente

atirou outro; repetiu-se o fato. Se um comeu é provável que o outro tambem coma, dedu

ziu. No entanto queria ve-los comendo ao mesmo tempo. E isso ela conseguiu nos dias que

se seguiram. De modo ordenado, cevava num determinado raio. Livre dos cães, já conside

rava meio caminho andado. Até que a data chegou. Vestiu-se de modo humilde, dando mes

mo tom aos cabelos, esmalte velho nas unhas e um par de sandálias barato. Num balde, em

meio a trapos e outros trens de limpeza , juntou o que haveria de usar: luvas, alicate, um

saco plástico contendo camarões envenenados, a pistola e o abafador. Envoltos em saco de

estopa: uma vassoura, um rodo, e uma pequena mangueira d'água. Morava distante da chá

cara; porisso partiu bem antes do entardecer. Com andar vagaroso foi atravessando a cida

de. O modesto relógio de pulso marcava dezesseis horas. Passava por uma rua larga e arbo

rizada, muito movimento de carros e pedestres, casas típicas de bairro chic... Em frente a u

ma residência, notou pessoas bem vestidas conversando na ampla área ajardinada e demais

dependências. Como ainda era cedo, resolveu parar. Não notando olhares sobre si...foi en

trando. Se não fosse velório certamente já teria sido barrada, pensou. Na porta de entrada

viu algo que não conhecia: um amplo cômodo retangular; em seu interior mais pessoas reu

nidas. Na parte central do recinto havia uma câmara mortuária localizada abaixo do nível do

piso, com luzes azuladas circundando internamente as quatro laterais. Era coberta por uma

vidraça quadriculada acompanhando o nível do chão. Parecia um tabuleiro de xadrez: qua

dradinhos de aproximadamente dez centímetros alternavam-se: um transparente, um espe

lhado. Os transparentes mostravam o triste colorido das flores; já pelos espelhados, não raro

se via um belo tornozelo de ponta cabeça. Olhou o ambiente por mais alguns instantes e se

foi. Lá fora o ruído dos pássaros nas árvores anunciava mais um fim de tarde. Havia ainda

um bom tanto a caminhar. Continuou na mesma toada para chegar na hora certa. Quando

tal se deu já passava de 21 hs. Notou as lâmpadas acesas e a presença dos cães, apesar da

fraca iluminação. Desceu a ribanceira até certo ponto, atirando um a um os camarões. Espe

rou pela reação. Não tardaram os efeitos da estricnina; ambos contorciam-se em convulsão,

ficando logo inertes. Vestiu as luvas, apanhou o alicate e cruzou o riacho em direção à cerca.

O saco plástico soltou-o na correnteza. Cortou os arames e entrou. Acoplou o abafador à pis

tola, efetuando um disparo contra o solo. Estava tudo perfeito e pronta a novos disparos.

Subiu lentamente pelo aclive. No caminho escondeu as sandálias e os trens numa moita. Ca

minhou mais um tanto e parou na sombra dos arvoredos, à espera de sinais. Ouviu ruídos

que vinham do cômodo de serviços. Ele estava ali, executando algum trabalho, com a porta

totalmente aberta. Serpenteando por entre a vegetação, procurava um ângulo que lhe per

mitisse visualizar o interior. Movimentava-se cuidadosamente. Já bem perto, em diagonal

à entrada, percebeu uma das pernas ligeiramente inclinada, e parte dos pés. Tudo indicava

estar sentado. Não havia mais em que pensar. Foi de encontro mantendo o mesmo sentido.

Assim que a viu já na porta, tentou investir no mesmo instante, mas a primeira bala atra

vessou-lhe o peito.Com o impacto caiu prá trás. Aproximando-se mais, disparou a segunda,

a terceira, e fim. Em seguida depos a arma sobre o cadáver, retirando-se imediatamente.

No caminho catou os trens, calçou as sandálias, e desceu...Jogou as luvas e o alicate no ria

cho...enquanto o atravessava. No topo do barranco, cruzou a avenida, retornando pelo lado

oposto.

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