Pictures of Lightning

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sábado, 31 de outubro de 2009

NA ROTA DO EXECUTIVO INGLES



B.Brother, assim o chamavam no meio profissional. Servira o Reino Unido durante

longo período numa cidade da África, agitada por conflitos políticos, raciais e religio

sos. Tinha seu escritório não muito distante do local onde se hospedava. Percorria

o trajeto a pé...diariamente. Eram frequentes os atritos entre polícia e rebeldes; até

mesmo entre estes, por questão de diferenças ideológicas. A anarquia impunha-se

dia a dia. Certa tarde, após cansativo dia de atividade, caminhava normalmente de

volta ao hotel. Afrouxando o laço da gravata, sob o forte calor africano, passava por

uma via exclusiva a pedestres. Semblantes apreensivos fingiam-se ocupados. Pas

sos apressados num vaivém silencioso, nervoso. Sentiu que o clima era de tensão.

Continuou no mesmo ritmo. Mais adiante, não muito longe, notou o céu enfumaça

do. Começou a entender à medida em que se aproximava. Parecia tratar-se de in

cêndio, até que se confirmou. Era numa catedral. Chegando em frente, parou. Es

tava totalmente destruída. Uma escadaria semicircular, acompanhando o contor

no da fachada, conduzia a um patamar em nível à base do prédio. Havia ainda um

resto de luz natural. Subiu os degraus em direção ao interior. De alguns pontos ain

da saía fumaça. Fragmentos coloridos dos vitrais espalhavam-se pela área. Só res

tava a estrutura: cor de carvão. Por entre as travessas metálicas do teto, pôde ver

a densa camada escura movimentando-se no espaço. As portas estavam escancara

das. Estilhaços da vidraça esparramavam-se pelo chão. Na parte superior de uma

delas havia dois urubus pousados. O acesso ao interior se fazia por duas entradas

laterais, erguendo-se no centro uma parede de formato côncavo, que preservava

a privacidade interna. Cravado nessa parede, um prego de dormente sustentava

o corpo de um sacerdote negro, enforcado com a faixa que usava na cintura. Seu

rosto, bem como suas vestes, apresentavam-se corroídos por ácido. Era forte o

mal cheiro! Brother deu às costas e se foi, arrependido de sua curiosidade.

DIA DA CAÇA



Fato ocorrido no interior do Amazonas por volta dos anos 60. Lugar selvagem; caça e

pesca abundantes... Um grupo formado por membros de nacionalidades diversas, che

fiado por um russo, praticava o tráfico de peles e animais silvestres, tendo como recep

tadores, quadrilhas de países vizinhos. Viviam embrenhados na selva, alojados em ca

banas. Cada elemento incumbia-se de determinada tarefa: cuidados e guarda dos pro

dutos, preparo dos alimentos, manutenção do armazenamento, limpeza dos casebres,

alem de rastreadores..., e o cabeça: um tal Sergei; franco atirador. Dispunham de apa

rato sofisticado: armas de diversos calibres, lunetas especiais para caça noturna, am

plo equipamento de pesca, etc... Paralelamente, avançada técnica de curtição. E assim

saíam as peles, as penas coloridas, e pequenos animais; indiscriminadamente. Negócio

quase tão lucrativo quanto droga. Matavam onças pintadas, pardas com mais frequên

cia, jaguatiricas. e uma variedade de outros bichos. O mais cobiçado no entanto, a pan

tera negra; essa era mais difícil. Desde que instalados no lugar, apenas uma fôra abati

da, ainda assim, filhote. Quem matou foi o russo. Exibindo-a aos companheiros, na épo

ca, disse-lhes: agora quero a mãe! Sua ambição provocou risos. O tempo passava. Era

uma atividade cansativa, perigosa. Num belo dia, ao cair da tarde, Sergei mais alguns

amigos...localizaram em determinado ponto onde sondavam pela primeira vez, pega

das um tanto diferente das costumeiras. Analisavam calmamente, trocavam idéias,

uns achavam tal coisa, outros outra...Nenhuma definição de momento, no entanto sa

biam não se tratar de onça. Como não tardaria a escurecer, decidiram retornar, conti

nuando as buscas assim que amanhecesse. Partiram aos primeiros sinais da alvorada

Chegando no local notaram pegadas mais recentes indicando nova presença; haviam

descoberto a trilha. Dependendo das condições do terreno, os sinais apresentavam-se

mais ou menos definidos; sempre respeitando a beirada, paralela a qual corria um rio

Pouco adiante o estreito corredor terminava numa área espraiada.

Achamos!...disse o russo, notando na areia marcas de contorno típicas de posições de

descanso. Certificou-se de que o bebedouro era ali, pela disposição das marcas próxi

mas da beira d'água. Ergueu os olhos para a margem oposta; mata virgem, densa.

Em seguida observou o rio: não era muito largo. O primeiro capítulo terminou mais

cedo que esperávamos, disse aos amigos. Amanhã cedinho retornaremos em barcos

para o segundo passo da tarefa. Assim que amanheceu desceram em tres botes, com

o material necessário e ferramentas. Ao chegarem, encostaram antes no espraiado:

novamente pegadas mais frescas. Dirigiram-se à margem oposta, estudando qual a

melhor árvore onde construiriam o jirau. Uma vez estabelecido, puseram mãos à

obra. Pouco antes do escurecer o trabalho estava concluído. Bem feito, bem camufla

do, comportava duas pessoas...comodamente.

Voltariam uma vez mais na manhã seguinte prá checar se as atividades não haviam

interferido nos hábitos do animal. Novos sinais indicaram que não. Pouco antes do es

curecer desceram o russo e um amigo..apenas. No local, esconderam barco e motor

na mata. Em seguida acomodaram-se no tablado. O sol se punha atrás das monta

nhas; não tardaria o cair da noite. Agora só restava aguardar. Com o fuzil no tripé,

o russo examinava as imediações através do campo iluminado da luneta. Nenhum

sinal. Muito cedo ainda, balbuciou no ouvido do companheiro. Seu olhar no entanto

não descansava um segundo. Vasculhava cada centímetro quadrado do terreno.

Até que se fez noite. Em dado instante percebeu algo se movimentando na trilha:

uma sombra lenta e indefinida passava, tapando pequenos espaços existentes na

vegetação. Foi acompanhando pelo visor...até surgir no campo aberto do espraiado

Engoliu seco. Não conseguia acreditar no que estava vendo: uma pantera negra adul

ta. Seus olhos possuíam luz própria; um negócio de assustar! Acomodou-se próxima

do capim, com o olhar voltado para o rio. Não era o momento certo. Sergei aguarda

va. Haveria que descer à água. Após algum tempo, levantou-se, indo em direção ao

bebedouro. Acompanhou-a, ao mesmo tempo recuando o dedo indicador até o fim

do primeiro estágio. Assim que permanecera estática, enquadrou o ponto a ser atin

gido e acionou o gatilho. Notou que o disparo não havia sido fatal. Instantaneamen

te viu-a evadindo-se com certa dificuldade. Tentou um segundo tiro, mas já era tar

de; não estava mais à vista. Talvez um leve movimento dela na hora "h" ou algum

problema com a precisão da arma frustrara o resultado. Mas havia sido duramente

ferida, pensou o russo. Não creio que vá longe, disse ao amigo. Me pareceu ter sido

atingida na omoplata. Por ora só nos resta aguardar o amanhecer. E não tardou. Já

dia claro, desceram do jirau, colocaram o barco n'água, e, no remo, cruzaram o rio.

Soltaram a âncora um pouco afastado da margem. Observavam atentamente o lu

gar. Havia várias manchas de sangue na areia e em direção à trilha. Fugira por ali.

Ergueram o peso, remando em seguida rio acima, sempre à certa distância da mar

gem. A uns vinte metros, onde a falta de vegetação permitia, tornaram a notar si

nais de sangue. Continuaram subindo sem no entanto perceberem algo mais de no

vo. Voltaram ao ponto onde as marcas apresentaram-se pela última vez. Analisan

do atentamente, notaram que ali, o início da vegetação mata adentro, mostrava le

ve amassamento. Não há dúvida, disse Sergei. Ela entrou aí. No seu lugar eu aban

donaria a causa, disse-lhe o amigo. É muito perigoso! Pode estar morta como pode

estar amoitada. Esse trem é o diabo...quando ferido. E não se esqueça que ela está

na casa dela. Está na casa dela mas está furada, Emílio. Eu estou inteiro. Não pos

so recuar. Ainda que me custe a vida, entrarei. Reavalie, Sergei! Desça ao espraia

do, Emílio. Estou disposto a decidir isso já. Acatando a ordem, o amigo desceu. No

ponto exato pressionou o bico da proa contra o barro da margem, parando o bote.

O russo engatilhou a arma, saltando à areia. Voce fica aí, disse ao companheiro. E

se afaste da beirada prá não correr risco. Logo após observou o terreno. Viu que

as manchas afunilavam-se em direção à trilha. Começou a seguí-las lentamente..

Não havia andado ainda cinco metros. Da beira do mato a fera investiu sobre ele

sem erro. Em meio a rosnados infernais, atacou-lhe no rosto. Com as garras, tru

cidava a vítima, fazendo-a em pedaços. Ao presenciar a cena o amigo zarpou.

Chegando ao acampamento contou o que vira. O corpo está na trilha, se é que

não o devorou!? Desta vez não irei! Um pequeno grupo desceu em dois barcos.

Vendo o estado em que se encontrava o corpo, acharam melhor deixá-lo por lá

mesmo... E assim termina o dia da caça.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

HOBBY DA MÍDIA



Em algumas regiões do norte da Escócia, copiou-se no início do século

uma tradição muito antiga: um ritual com o requinte e originalidade

do passado. Em resumo, homicídios praticados pela alta sociedade...

O palco tinha lugar naquelas mansões de alta privacidade, geralmente

edificadas em topos de montanhas. Participavam de quatro a cinco

pessoas, no máximo. Montava-se o cenário num largo corredor, plano

e arenoso, de aproximadamente 100 mts de comprimento, ladeado

por árvores de copas largas, dando ao ambiente uma limunosidade

sombreada. Ligeiramente afastados de uma das laterais do corredor,

havia quatro toras baixas fixadas no solo, e intercaladas à certa dis

tância. Na superfície de cada uma um pequeno gancho de ferro crava

do. Mais atrás, espessas varas de nylon maciço, chumbadas no solo;

dispunham-se em sentido vertical. Suas pontas terminavam em

anéis. À frente, na lateral oposta, um trono rústico de madeira acomo

dava bela mulher. Nua, com uma das pernas sobreposta à outra, usa

va sandálias de amarrilhos trançados..até na altura dos joelhos.

A área das partes fora de contato com o assento media vários decíme

tros quadrados. Segundo os costumes, ela representava alguma enti

dade a quem se destinava os sacrifícios; e os animais oferecidos eram

mendigos e indigentes retirados de circulação. Colocados de joelhos,

com as mãos amarradas nas costas, uma presilha de metal acompa

nhava o contorno do pescoço. Presa na parte superior por corda, liga

va-se ao anel terminal da vara, que se curvava até à tora. Um cordel

preso ao gancho e à parte inferior da presilha...mantinha o pescoço li

vre da ação de forças. À distância, do início do corredor, um cavaleiro

encapuzado, empunhando espada, partia a galope, com suas vestes

esvoaçantes...em direção à vítima. Golpeando o cordel, fazia com que

a força liberada da vara chacoalhasse o corpo..num sobe/desce tragi

cômico, até parar, vergada pelo peso do enforcado. Enquanto durava

o vaivém, a mídia presente emitia murmúrios de ovação. O cavaleiro

retornava através de uma trilha paralela existente atrás das árvores

até reaparecer no ponto de partida. Após ligeira pausa, nova investi

da, e assim sucessivamente.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

ANA TRAGÉDIA HUMANA



Por culpa própria, uma velhice sem ter com que se distrair. Praticamente cega,

esqueceu-se. Passagem em branco, sem sonhos, sem caprichos, sem sentido....

Existência fútil, sem ideal, futuro vazio, de espera...apenas.

Recebia miserável pensão deixada pelo marido. Morava numa propriedade anti

ga. Externamente havia um pequeno quintal, e um corredor calçado...ligando a

uma porta dupla. Em seguida a escada, conduzindo a dois cômodos. Na metade

do curso fazia uma curva, em frente a qual uma vidraça fixa, disposta vertical

mente em forma de retângulo, dava boa visão do céu. Certa noite, aos sinais de

tempestade, saiu no quintal à procura de seu estimado: um bonito gato de pelos

cinza azulado e olhos cor de verniz. Ao ve-la, veio logo em sua direção. A água

despencou de repente. Maldizendo sua lentidão, a velha molhou-se toda até che

gar ao pé da escada. Tentou fechar a porta mas a força do vento a impediu. As

partes batiam desordenadamente. Pos-se a subir os degraus. O animal a acom

panhava, seguindo por sobre o corrimão. Descalça, descabelada, já na altura da

curva, o clarão de um relâmpago mostrou sua fisionomia esbranquiçada, olhos

imóveis, sem cor, superfícies úmidas...dando-lhes um brilho morto. No mesmo

instante uma aranha surgiu à frente do gato; com o susto, encolheu-se, soltando

um grunhido de pavor. Chegando ao quarto, trocou de roupas, sentando-se nu

ma poltrona. Adormeceu e sonhou. Encontrava-se no espaço, ao lado de uma

mesa não muito larga mas bem comprida. Coberta por toalhado vermelho, so

bre o qual dispunham-se pratos, talheres, taças de cristal, etc... Nas laterais ali

nhavam-se cadeiras estreitas de encosto alto. De um lado do ponto central, uma

mulher, em pé, sustentava um recém-nascido, nu, nos braços estendidos, como

se o oferecesse ao homem sentado a sua frente. Era alto, forte, fisionomia estra

nha. Ana olhava a cena. Instintivamente abaixou-se, dirigindo o olhar para os

pés da mulher. Estava descalça. Eram pés estreitos e compridos. Em lugar de

unhas, garras felinas. Ao erguer-se, Ana bateu a cabeça na extremidade da me

sa, fazendo com que algumas taças se quebrassem. O som vibrou no espaço.

Acordou com o gato arranhando-lhe os pés.

A ÚLTIMA VAIDADE DE JOANNA



Joanna M. de M. , já em leito de morte, pediu que lhe chamassem o perito responsável

pelas investigações, quando do desaparecimento de seu marido, tempos atrás. Como na

época não encontravam a matéria do crime, o processo acabou sendo arquivado.

Rápido! , clamava a anciã. É urgente! Não tardaram, pois, a encontrá-lo. Enquanto lhe explicavam o que ocorria, sua mente embaralhou-se; não conseguia formar idéias.

Levado ao hospital, dois enfermeiros o conduziram até o quarto. Quando a viu teve um

sobressalto; era pele e osso. Joanna pediu-lhe que fechasse a porta e se sentasse bem

próximo. Falava com dificuldade. Chamei-lhe para uma confissão, Sr. Meu marido...

...quem matou fui eu. Questão de honra, talvez. Caso queira, posso lhe contar como tu

do ocorreu; se prá isso ainda houver tempo. Claro que sim, disse o homem. Muito me

interessa seu relato. Por outro lado penso estar sendo muito corajosa essa sua atitude.

Não há mais lugar para coragem; o que há é vaidade. Pois bem, vamos lá...então..

Fulano de tal, meu ex-marido, com o tempo foi se transformando num monstro intratá

vel. Vivíamos sob o mesmo teto, mas há muito havia me abandonado. Envolvera-se

com todo tipo de gente, jogava, bebia, tinha amantes, me agredia; uma vida desregra

da...portanto. Sentia-me um lixo desprezível. Acabei chegando à conclusão que o me

lhor seria por um fim àquilo tudo. Ele saía, voltando quando bem o entendia. Às vezes

ficava fora...dias. Não havia mais consideração, e isso me aborrecia, me revoltava.

Possuíamos um pesqueiro na barranca de um rio não muito distante, como o Sr sabe.

Eu, prá me livrar da clausura, ia pescar. Lá, havia uma casa simples, mas que oferecia

condições básicas, além de certo conforto, como o Sr também o sabe. De vez em quan

do me dava na telha, ficava por lá..dois..até tres dias seguidos. Eu gostava do esporte.

Além de válvula de escape, essa atividade acabou me mostrando o quanto seria útil

naquilo que eu pretendia. Cavocava nos brejos para apanhar minhocas; isca preferida

dos peixes. Quando estes escasseavam, aproveitava para tratar das plantas. Aplicava

lhes adubo regularmente, efetuava podas regulares...e tudo o mais. Não sabia se essa

minha conduta denotava algum interesse em reconquistá-lo. A verdade é que ele iria

pro inferno...mesmo! Estava tudo planejado e a oportunidade não tardaria. Lembra

se da piscina que havia na mansão, não lembra? Sim! , claro, respondeu-lhe. Pois en

tão! Foi ali que o matei! Era uma manhã de domingo. Ele lia uma revista, deitado de

bruços sobre uma uma esteira inflável. Sentada na borda da piscina, movimentei len

tamente a água com as pernas, para trazê-lo à beirada. Quando tal ocorreu, levantei

me. Com uma toalha na mão esquerda e um porrete na outra, camuflado em meio a

uma esteira de fibras, aproximei-me, golpeando-lhe na nuca... O corpo afundou ime

diatamente...já sem vida. Abri os ralos de escoamento e juntei os apetrechos: sacos

plásticos de adubo, previamente preparados, cordéis de algodão umidecidos, tres bis

nagas de cola, serrote, mangueira d'água, esponjas para limpeza, trapos de pano, e

muito sabão. Nua, dentro da piscina, comecei.. serrando-lhe as pernas na altura dos

joelhos e das virilhas, depois os braços, e finalmente o pescoço. Num saco coloquei o

tronco, num segundo, braços..mãos..coxas e o porrete , e no terceiro: pernas..pés e

o serrote. Lambuzei com cola as paredes internas dos sacos..na altura adequada, in

troduzindo em cada um a respectiva bisnaga utilizada, vedando-lhes em seguida as

aberturas..com os cordéis. A cola, de secagem relativamente rápida, logo permitiu

a lavagem externa dos volumes. Limpei rigorosamente todo o interior da piscina...

bem como a mangueira. Demais objetos usados embrulhei-os em plástico mais fino.

Concluído o trabalho, juntei tudo na camionete, em meio a materiais de pesca e ou

tras bugigangas. Logo após fui à cabine de comando, abrindo os condutos de enchi

mento. Duas horas depois tudo voltou à normalidade. Deitei cedo naquele dia. Acor

dando no meio da madrugada, não o vi na cama. Procurei-o por toda a casa..e nada.

Certamente havia saído enquanto eu dormia. Sei lá se com algum amigo ou com al

guma amante!? A porta estava fechada apenas à chave. Os trincos de segurança in

terna apresentavam-se desconectados. Eu, prá me livrar da solidão, fui pescar. Lá

chegando, ainda escuro, cavoquei fundo em diversos pontos do brejo, a fim de con

seguir isca suficiente para o dia todo. Dediquei-me com afinco, capturando vários;

alguns..inclusive..de bom tamanho. Voltei prá casa à noitinha. Ele ainda não havia

retornado, assim como não retornou no dia seguinte, nem nos que se seguiram.

Limpei os peixes, coloquei-os no congelador, e fui tomar banho. Alguns dias depois

comuniquei à polícia aquela ausência fora do habitual. E assim termina a história,

Sr. Penso que teve o fim que mereceu. Por outro lado penso eu estar tendo o meu.

Minutos depois ela falecia.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

UM MOMENTO NA ETERNIDADE


Aos poucos ia ficando atrás o negrume da estrada. O muleiro, montado numa besta atrelada à carga, por corda, transportava seu pequeno empório sobre o dorso do animal. Acabando de chegar a determinado vilarejo, ainda madrugada alta, seguia por uma rua sem calçamento..até que encontrou paralelepípedos. Reduziu a velocidade , continuando a marcha. Havia ainda um

pouco de ração, mas líquido, só um restinho no cantil. Resolveu parar por alguns instantes a fim

de que o animal descansasse, dando-lhe o que ainda restava prá comer. Depois prosseguiu em

busca de água. Ergueu os olhos para o céu; pelo brilho das estrelas estava ainda longe o amanhe

cer. Em dado ponto, não muito distante, notou luzes quebrando a escuridão. Já mais próximo, percebeu pessoas na calçada; algo acontecia na casa. Numa biboca dessa, a essa hora, luzes, gente na rua, silêncio..; pensou consigo: dou meu comboio de graça se for festa. E achei água, pensou tambem. Ao passar em frente simulou um olhar consternado, seguindo mais devagar. Ainda na

mesma quadra havia muito capim em terrenos baldios. Entrou num deles, desceu do animal,

deixando-o pastar à vontade, e se dirigiu ao velório, em sinal de respeito. Os olhares o evitavam.

Seu propósito no entanto fingia evocá-los em dobro. Água!!, meus amigos, disse-lhes em pensamento. Contornou o grupo, parando em frente. Era uma casa simples, predominava luz fra

ca e amarelada. O portão era baixo, feito com ripas de madeira escura. Muro branco, da mesma

altura, descorado e encardido pelo tempo. Após o portão, tres degraus e uma passarela dividindo

o jardim em dois canteiros com roseiras. Uma areazinha circundada por muretas, e dois pilares

de tijolos sustentando a cobertura. À esquerda, uma janela aberta mostrava o guarda-roupas e

parte da cabeceira da cama. Uma única porta de entrada e um longo corredor indo até os fundos.

Aqui, dois degraus, uma pequena área de serviços, e finalmente o quintal. Em seguida à porta de

entrada, uma segunda na parede esquerda indicava ser a do quarto. À frente, do lado oposto, o banheiro. Adiante, a copa, situada à direita, onde a luz era mais densa. Seu leve movimento con

firmava presença de velas. Reaparecia depois o corredor até terminar na cozinha, situada em po

sição oposta a do compartimento anterior. Pia, fogão, geladeira, ocupavam o lado esquerdo. O pi

so da casa era todo em vermelhão. Fachada marrom, janela rosada, e as paredes internas branco

O portão estava aberto; decidiu entrar. Tirou o chapéu, sacudiu-o na perna prá tirar o pó, e, des

cendo os degraus, foi adentrando educadamente. Da cozinha chegava-lhe às narinas um agradável aroma de café fresco. Seguiu pelo corredor até chegar na copa. Diante do que via, esta

cou. Correu os olhos pelo ambiente: pessoas sentadas em cadeiras encostadas nas paredes, vela-

vam. No centro, um corpo (parecia ser de criança), jazia num pequeno caixão. O rosto era escu-

ro, as mãos e o restante as flores encobriam. Sentada proximo à cabeceira do esquife, uma senho

ra olhava inconsolável o defunto. O muleiro foi se aproximando até chegar bem perto. Curvando-

se por sobre o cadáver, dirigiu-se à mulher, perguntando-lhe: Era filho? Como assim, Sr.!? Não

se trata de criança. Era meu marido. Ficou pequeno assim porque morreu carbonizado. Peço-lhe

então que me desculpe, ao mesmo tempo tempo em que manifesto meus sentimentos. O Sr. o co

nhecia? Não..não; estou por aqui de passagem. Sou ambulante; vendo coisas perecíveis. Meu ani

mal está lá fora pastando, e morrendo de sede. Na varanda tem uma bacia grande ao lado do tan

que. Sirva-se à vontade, disse-lhe a mulher. Gostaria de tomar um café..antes? Foi feito nesse instante. Aceito sim! Pediu licença, dirigindo-se à cozinha. Tomou muita água antes, depois encheu uma xícara. Enquanto tomava, permanecia junto à porta dos fundos, observando o quin-

tal espaçoso. Havia galinhas, patos, marrecos, e um galo índio, ciscando soltos na terra. Crianças

trepadas numa jaboticabeira chupavam os frutos. No horizonte os primeiros sinais da alvorada.

Junto ao tanque uma bacia metálica de bom tamanho. Acabou de tomar o café, colocou a xícara

sobre a mesa e foi à torneira. Abriu-a, esperando alguns segundos até que a agua se refrescasse.

Encheu o cantil e a bacia. A um peão até que não estava tão pesada. Ajeitou-a sobre a cabeça, su-

biu os degraus com cuidado, e, pedindo licença, foi atravessando a extensão. Tal cena causava es

tranheza entre os presentes. Quando chegou na passarela do jardim viu o animal na calçada opos

ta, olhando em sua direção como se esperasse pela água. Cruzou a rua, colocando o recipiente no

chão. Percebeu que o nível do líquido baixava a olhos vistos. Ao término, dois relinchos cômicos

quebraram o silêncio do local. Começava a clarear. Retornou para devolver o objeto, trocou algu

mas palavras mais com a viúva, agradeceu-lhe pela hospitalidade, despedindo-se em seguida. Na calçada um último olhar para o interior: na soleira da porta dos fundos, o galo cantou com tal ím-

peto, que parecia estar querendo anunciar para o resto do mundo...o nascer de mais um dia. Lo-

go depois, um Sr. velho, gordo e careca, envolto em toalha de banho, cruzou o corredor de uma

porta à outra. No jardim, mamangavas entravam e saíam furiosamente dos botões: sem ferì-los.

Já era dia claro, mas perdurava o amarelo das luzes. Deu meia volta e se foi. Quem sabe se prá

sempre.!.?...

ALTA ROTAÇÃO


Episódio ocorrido num congresso de feitiçaria, realizado no sul da Califórnia em 1970, e presenciado por antropólogos, artistas, fotógrafos, etc.. Ante à crítica, configurou-se co

mo passível de truque, ilusionismo; coisa assim. Uma coisa ou outra a verdade é que o fato se deu. Na luz do dia, em terreno limpo, uma cascavel apresentava-se enroscada

em um cacto de aproximadamente dois metros de altura. Seu corpo permanecia estáti

co, com a face inferior da cabeça ligeiramente afastada do solo. Os olhos constantemen

te abertos mostravam as pupilas em forma de losango. Um homem aparentando cin

quenta anos, alto, magro, moreno, com vestes escuras, aproximou-se a mais ou menos

cinco metros do vegetal, e parou. Simultaneamente a cobra posicionou-se no chão, for

mando uma circunferência em torno do tronco. Lentamente, o bruxo começou a andar

em círculo; o ofídio fez o mesmo, em sentido contrário. As velocidades aumentavam

gradativamente. Com as pernas ligeiramente afastadas, batia no solo duas vezes conse

cutivas; ora com um pé, ora com o outro. E assim alternavam-se os passos. Ao mesmo

tempo, com os braços estendidos na vertical, batia uma contra outra as palmas das

mãos cada vez que os pés tocavam o solo. Com a boca emitia sons extravagantes acom

panhando as batidas. As velocidades iam aumentando cada vez mais; na mesma pro

porção os sons. Chegou a um ponto em que se fundiram. E aí não se via mais homem

nem cobra; só o cacto...

ACERTO DE CONTAS


Um dos planos da Máfia, malogrou, face a informações reveladas por membro da própria

organização. Após investigações, acabaram descobrindo o culpado; não tardando sua loca

lização. Vivia noutro país, numa bela chácara, provavelmente adquirida com o fruto da

traição. Bem cercada, possuia um pomar variado: hortas, viveiros de mudas, etc. Uma ca

sa na parte central e um cômodo próximo, destinado a serviços. Alguns arbustos ao redor

e dois cães de guarda. Na parte sul o terreno declinava até limitar-se com um riacho raso

e não muito largo. Em seguida um barranco coberto por capim dava acesso à calçada de

uma avenida marginal.

Elaborado o plano e marcada a data, escolheram quem melhor pudesse executá-lo: uma

mulher de meia idade, que já havia servido à organização em tarefas semelhantes. Trazi

da à cidade com relativa antecedência, acomodou-se numa modesta casa de bairro.Muni

da dos apetrechos necessários, restava-lhe pensar na forma mais adequada, e começar o

trabalho. Saiu certa tarde levando camarões frescos e algumas bugigangas numa sacola.

Andava devagar pela calçada à procura dos cães. Nada conseguira naquele dia. Repetiu

as tentativas com frequência a não levantar suspeitas. Até que em determinado dia, já

praticamente escuro, viu um deles rondando próximo à cerca. Continuando no lento cami

nhar, atirou um camarão, observando o comportamento do animal. Ao ouvir o som quando

bateu no chão, foi em direção, farejando...Pelo movimento notou que comia. Rapidamente

atirou outro; repetiu-se o fato. Se um comeu é provável que o outro tambem coma, dedu

ziu. No entanto queria ve-los comendo ao mesmo tempo. E isso ela conseguiu nos dias que

se seguiram. De modo ordenado, cevava num determinado raio. Livre dos cães, já conside

rava meio caminho andado. Até que a data chegou. Vestiu-se de modo humilde, dando mes

mo tom aos cabelos, esmalte velho nas unhas e um par de sandálias barato. Num balde, em

meio a trapos e outros trens de limpeza , juntou o que haveria de usar: luvas, alicate, um

saco plástico contendo camarões envenenados, a pistola e o abafador. Envoltos em saco de

estopa: uma vassoura, um rodo, e uma pequena mangueira d'água. Morava distante da chá

cara; porisso partiu bem antes do entardecer. Com andar vagaroso foi atravessando a cida

de. O modesto relógio de pulso marcava dezesseis horas. Passava por uma rua larga e arbo

rizada, muito movimento de carros e pedestres, casas típicas de bairro chic... Em frente a u

ma residência, notou pessoas bem vestidas conversando na ampla área ajardinada e demais

dependências. Como ainda era cedo, resolveu parar. Não notando olhares sobre si...foi en

trando. Se não fosse velório certamente já teria sido barrada, pensou. Na porta de entrada

viu algo que não conhecia: um amplo cômodo retangular; em seu interior mais pessoas reu

nidas. Na parte central do recinto havia uma câmara mortuária localizada abaixo do nível do

piso, com luzes azuladas circundando internamente as quatro laterais. Era coberta por uma

vidraça quadriculada acompanhando o nível do chão. Parecia um tabuleiro de xadrez: qua

dradinhos de aproximadamente dez centímetros alternavam-se: um transparente, um espe

lhado. Os transparentes mostravam o triste colorido das flores; já pelos espelhados, não raro

se via um belo tornozelo de ponta cabeça. Olhou o ambiente por mais alguns instantes e se

foi. Lá fora o ruído dos pássaros nas árvores anunciava mais um fim de tarde. Havia ainda

um bom tanto a caminhar. Continuou na mesma toada para chegar na hora certa. Quando

tal se deu já passava de 21 hs. Notou as lâmpadas acesas e a presença dos cães, apesar da

fraca iluminação. Desceu a ribanceira até certo ponto, atirando um a um os camarões. Espe

rou pela reação. Não tardaram os efeitos da estricnina; ambos contorciam-se em convulsão,

ficando logo inertes. Vestiu as luvas, apanhou o alicate e cruzou o riacho em direção à cerca.

O saco plástico soltou-o na correnteza. Cortou os arames e entrou. Acoplou o abafador à pis

tola, efetuando um disparo contra o solo. Estava tudo perfeito e pronta a novos disparos.

Subiu lentamente pelo aclive. No caminho escondeu as sandálias e os trens numa moita. Ca

minhou mais um tanto e parou na sombra dos arvoredos, à espera de sinais. Ouviu ruídos

que vinham do cômodo de serviços. Ele estava ali, executando algum trabalho, com a porta

totalmente aberta. Serpenteando por entre a vegetação, procurava um ângulo que lhe per

mitisse visualizar o interior. Movimentava-se cuidadosamente. Já bem perto, em diagonal

à entrada, percebeu uma das pernas ligeiramente inclinada, e parte dos pés. Tudo indicava

estar sentado. Não havia mais em que pensar. Foi de encontro mantendo o mesmo sentido.

Assim que a viu já na porta, tentou investir no mesmo instante, mas a primeira bala atra

vessou-lhe o peito.Com o impacto caiu prá trás. Aproximando-se mais, disparou a segunda,

a terceira, e fim. Em seguida depos a arma sobre o cadáver, retirando-se imediatamente.

No caminho catou os trens, calçou as sandálias, e desceu...Jogou as luvas e o alicate no ria

cho...enquanto o atravessava. No topo do barranco, cruzou a avenida, retornando pelo lado

oposto.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

CONTOS CURTOS (fantasia)


SONHO AZUL

Vamos..filhos! Já passa da hora de dormir, disse o pai ao casalzinho:

um menino de oito anos e a garotinha de cinco. Exaustos, após longo

dia de praia, adormeceram rapidamente. Em sonho, a pequena viu-se

num barco, acompanhada pelo pai e pelo irmão. Desciam por um rio

largo e caudaloso, margeado por densa mata virgem..lembrando algum

interior de sertão. Apontando com a mão, o piloteiro ia mostrando a bi-

charada: tucanos, araras, macacos, bandos de capivaras, jacarés, etc..

Divertiam-se naquele paraíso colorido, apesar do forte calor.

À certa altura do passeio, o guia desviou o barco em direção à margem.

Aportou num local onde havia vários arbustos. Uma área grande, que

aos poucos se afunilava, indo dar numa vereda que conduzia ao interior

da mata. Parei para lhes mostrar algo interessante, disse o matuto.

Chamando-lhes à atenção, apontou para um arvoredo sem folhas.

Cravado na galhada, um cacho de abelhas enorme. Podemos ve-lo de

perto; são inofensivas, desde que não provocadas. Uma casa de abelhas

daquele porte!?! Bem próximos, puderam presenciar bela manifestação

da natureza. Momentos antes, havia chovido torrencialmente. A intensa

luz solar vinda de oeste, contrastando com o céu ainda escuro ao fundo,

intensificava as cores e o brilho da vegetação, bem como o das gotas d'água;

o mesmo ocorrendo com o mel que escorria dos orifícios, pingando no chão...

em virtude da alta temperatura. A garota, muito observadora, percebendo

várias abelhas atoladas no líquido derramado, perguntou ao pai: Como pode,

afogar-se no fruto da própria labuta?

Seguiram depois pela vereda. Aos poucos ia caindo a tarde, até que se fez noite.

Continuaram a caminhada. No horizonte, despontava o imenso círculo vermelho

da lua cheia. No coração da selva, embora noite, o forte luar permitia boa visão.

Em dado momento, o caipira pediu-lhes que parassem. Agora veremos uma

irmandade em harmonia. Os tres entreolharam-se surpresos. Continuemos de-

vagar para não assustá-los, disse-lhes. Logo adiante havia uma pequena clareira

à esquerda do caminho; de solo arenoso e alvo, como as praias. Uma nascente nas

imediações fazia com que a límpida água escorresse através de um leito raso e es-

treito, que cincundava parte do local, continuando depois seu curso em direção ao

interior da floresta. À beira do regato, pés de banana d'água estavam repletos de

macaquinhos, regalando-se com os frutos. Pela transparência da água via-se car-

dumes de peixinhos multicores. Veadinhos pastavam na vegetação próxima. Ara-

ras e papagaios alimentavam-se de brotos no alto dos coqueiros. No interior da cla-

reira, uma linda borboleta azul, pousada na orelha de uma pantera negra, abria e

fechava as asas. Contemplaram a cena por longo tempo, retornando ao barco pouco

antes do alvorecer. Quando acordou, contou ao pai e ao irmão o que vira...

Debruçada sobre mármore ainda quente,

o sol da noite iluminava cética expressão de pavor...

Deitado ao lado, um corpo coberto por uma manta,

tremia em convulsão... Ao descobrir-lhe o rosto, soltou

um gemido de agonia; o tecido aderia-se às feridas...

Com a mão toquei-lhe a fronte; ardia em febre...

Seus olhos injetados moviam-se desordenadamente à

procura dos meus; testemunha cega...

Senti a angústia de que não fosse aquela noite seu último

dia... E tive a impressão de que a última expressão é a que

fica...Da cabeceira, a última vaidade em INRI..a tudo contem-

pla..passiva...

Embriagado pelo fascínio; existência fútil...

Hoje em claustro mutilado, foram-se os dedos,

ficaram os anéis...Agora bem próximo da partida,

sendo que à luz vieste puro, ergue-se o íntimo em

clamor desesperado, antes que o ser saltasse à carcaça...

ANTIGOS CARNAVAIS

Biquini, monoquini, top less, less geral, top tudo,

coisa e tal, água destilada, fuzil, canudo, copo,

garrafa, garrafada, tiro, facada, polícia, ambulância,

pronto socorro, UTI, meia hora, óbito, necrotério,

autópsia, velório, cemitério, bye..bye, so long, very well..

NATAL DE BRINQUEDO

Não tem vovô no barracão, não tem vovó no macarrão

Nem Mariquinha na cerca, nem feijão queimando

Não tem galinha choca, não tem pato estrangulado

Nem céu carregado, nem limoeiro em flor...

Despertar do sono maldito

os dedos buscam em vão os anéis

doce são seus lábios e as cinzas

amargas as flores

Segredos vivos---segredos guardados

Mortos---devorados...calcinados...

Vivos---adorados

Mortos---eu verme...eu fogo...

UMA PAGINA DA NATUREZA

Perdizes, com suas rêmiges harmônicas, ciscavam por grãos ao longo

dos eitos...Faisões, em suas danças nupciais, entoavam cantos de insi

nuante magia... Aves canoras de rica plumagem cadenciavam a mar-

cha da natureza....Do colorido outonal das copas, de rapinas espreita-

vam...No alto das colinas lobos disputavam restos de presas... E uru-

bus revoavam nas alturas...

EQUILIBRIO ECOLOGICO

Fera manca que ronda estábulos...

solta teu mugido de rês desgarrada;

manto celestial da fome implacável...