Pictures of Lightning

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domingo, 27 de dezembro de 2009

DEPOIMENTO 2 (episódio onírico)



Fato interpretado cfe. estado psíquico
alterado por droga,caracterizando rea-
lidade distorcida, infundada.. Vivendo
em clima de natureza competitiva,enten
dendo-se dessa forma, e possivelmente
verdadeiro, veio a derrota ferir-lhe o
íntimo (contingência das disputas) Tor
nou-se obsessão..perdurando até que um
estado de excitação psíquica desenca-
deou o episódio. Era imperioso provar
a si próprio a capacidade de desforra;
que o livraria da sensação de inferio-
ridade. Agora o adversário não estava
presente fisicamente, mas sim na para-
nóia. Nessa peça teatral com apenas um
figurante e seu monólogo mental,seguiu
certo dia para o cemitério de uma cida
de vizinha.(Episódio onírico) porque à
realidade..acompanhava uma sensação de
sonho. O objetivo era não ser surpreen
dido; caso contrário entendia as conse
quências como imprevisíveis. Diante de
uma sepultura, colocou uma foto apoia-
da num vaso. Deu às costas indo em di-
reção à outra, sobre a qual havia uma
estátua. Permaneceu ali olhando-a por
alguns minutos, retornando em seguida
ao ponto inicial. A foto continuava
no mesmo lugar.. Sentiu-se satisfeito
e vingado.Não fôra surpreendido pelas
impressões digitais como julgou haver
sido no passado. Apanhou a foto e vol
tou a cidade de origem. O surto esta-
va instalado. Excitação, alucinações,
confusão mental, sensação de retorno
à realidade ameaçado.Disso não se li-
bertou tão cedo. Sorte ter encontrado
profissional com conhecimento à altu-
ra..para sair do labirinto em que se
metera.

Ass/Jorge Alonso

DEPOIMENTO



Ex usuário de maconha e haxixe descreve
experiência vivida com tais drogas. Em
respeito ao direito de privacidade, fi-
ca vetada sua identificação. Classifica
dos como de foro íntimo, os efeitos des
sas substâncias variam de acordo com ca
da usuário. O anônimo em questão, abor-
dado sobre percepções,sensações,descre-
ve como passou a ver a realidade após i
niciar-se como consumidor.No começo era
tudo fascinante, diz ele.O tempo não ti
nha sentido. Qualquer hora era sempre a
mesma hora. Uma "paz" reinante. Não ha-
via obstáculos nem inibições; pelo con-
trário, facilidade em se comunicar, au-
sência de censura,amor-próprio e perso-
nalidade não tinham vez...não..Parecia-
me incrível fixar o olhar numa casa por
exemplo, e ve-la isoladamente, sozinha,
como se o restante ao redor houvesse de
saparecido. Da mesma forma, numa praça,
onde havia bancas de revista, estátuas,
casais sentados nos bancos, etc..;tudo
ao mesmo tempo dentro do campo visual;
como ocorre na dimensão tida como rea-
lidade, tanto eu via assim, como cada
ítem isolado dos demais. Em outros mo-
mentos sentia apenas o ser ; apartado
das sensações físicas, como se o corpo
não existisse. Tarde me dei conta..de
que desde o início eu entrara numa vas
ta esfera fechada, que com o tempo foi
se reduzindo..até que acabei por me en
contrar numa redoma asfixiante. Não me
di esforços para sair desse inferno.Fe
lizmente consegui.

Ass/Jorge Alonso

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

CURTAS E INFAMES



= O peixe-agulha tem seu habitat

nas regiões próximas da linha

do equador...

= Colocando-se um revólver den-

tro do saco de cimento, obtém-

se cimento armado...

= Apesar do peixe-macaco ser da

água salgada, índios capturaram

alguns exemplares...próximo da

Ilha do Bananal...

= O peixe-prego evita as águas

que cercam a Ilha da Madeira..

..por causa do tubarão-martelo.



Ass/Jorge Alonso

VERÃO NÓRDICO



Curto e fraco; às vezes bem aproveitado...

Época das gincanas em alto mar. Os parti-

cipantes seguem em embarcações até...os

pontos onde se encontra maior diversida-

de de cardumes... Aquela brincadeira de

quem pesca mais... quem pega o maior...

Chegando aos locais, solta-se os barqui-

nhos na água e começa a competição. Tu-

do sob controle e orientação de alguns

marujos.. Espécimes diversos, de portes

variados, capturam-se com facilidade. E

assim o dia vai passando...

Em dado momento, não muito distante

da hora do regresso, um dos marujos per

cebe ondulações na superfície, provoca-

das por leve ação do vento. Sinal certo e

inesperado, disse a um dos amigos.

No mesmo instante ordenou a todos que

atirassem no mar os objetos de metal...e

se agarrassem aos botes, afastando-se o

máximo das embarcações... Em seguida

olhou para o horizonte: um estreito bar-

rado escuro..e..típico. Não tardou, salta-

ram para a água. Nuvens acinzentadas

expandiam-se cobrindo o azul do céu...

Já se ouvia os estalos. As ondas se avo-

lumavam...fazendo com que os barqui-

nhos se dispersassem. Enquanto passa

va, a luz dos raios iluminava os destro-

ços de um barco atingido... Aos poucos

a tempestade foi se dissipando. A força

do vento em direção à costa ia reduzin

do a distância que estavam da praia...

Felizmente ninguem morreu. Seguran

do-se nos botes.., pedaços de madeira,

nadavam de encontro às luzes da orla.

Enquanto retornavam , uma garota

agarrada nas costas de um marujo,

perguntou-lhe: Que são essas garga

lhadas longínquas? São os deuses! Cos

tumam ironizar dessa forma, respon-

deu-lhe...



Ass/Jorge Alonso

sábado, 28 de novembro de 2009

ACESSÓRIO...COMO OPÇÃO



Uma pequena área agregada a um com

partimento, situada do lado de fora, se-

parada por parede de vidro à prova de

botes nervosos. Um jardim artificial ela

borado com ítens secundários opcionais

Como obrigatórios, seriam necessários:

um rego para água corrente..., algumas

tocas móveis feitas com pedras e arga-

massa, tela de aço(espaço da malha 0,5

cm2), iluminação nas 6 laterais: 3 da ba

se, 3 da parte superior. (cores e tons...a

critério pessoal). Um pequeno espaço i-

solado para acomodação provisória qdo

se fizer necessária a limpeza do ambien

te. Efetua-se a transferência através do

alimento. Abertura e fechamento por

meio de estreita grade vertical com 20

cms. de penetração abaixo da superfí-

cie, e acionada por controle remoto.

Uma portinhola de dimensões suficien

tes para se adentrar o interior do "jar-

dim". Aconselha-se não mais que tres

exemplares... Por ex: uma jararaca,

uma cascavel, e uma coral. Como ali-

mentação indica-se hamsters, peque-

nas aves e pássaros... Talvez seja um

entretenimento a mais.!.?.!.?...



Ass/Jorge Alonso

MATA VIRGEM



Floresta impenetrada! Entremos para

contemplá-la. Palco de surpresas, peri

gos, beleza, novidades...

Vida levada diante de tudo que já se co

nhece é enfadonho..



Ass/Jorge Alonso

RAÍZES



O que ontem foram lágrimas coloridas

de emoção, o tempo transformou em

pálidas de dor. Mais tarde em frias de

fim. Hoje não existem lágrimas...

Persegue-se o ideal passageiro. Alcan

çado, parece eterno. Sente-se o declí-

nio através dos dias. Volve-se em bus

ca de novas ilusões...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

LICOR CASEIRO



Figo de Natal, tâmara, uva passa, erva cidreira,

hortelã e erva doce. Picar tudo em pedaços pe-

quenos; de preferência usando as mãos. Não uti

lize instrumentos de metal,plástico,madeira,etc.

1/3 ou pouco mais da massa, em álcool neutro..,

deixando espaço suficiente a permitir agitações

periódicas que facilitam a absorção. Sempre em

recipiente de vidro, tapado com rolha de cortiça

Após 30 dias separe o bagaço espremendo-o de

modo a retirar o líquido retido.Reinicie o proces

so com a mesma quantidade de nova massa, re-

duzindo em 20% a de álcool. Após 40 dias proce

da da mesma forma. Repita pela terceira vez, di

minuindo o álcool em 30%... Passados 60 dias,

note uma coloração próxima do carmim. Obser

ve a densidade e o aroma. Ela não é tão densa

quanto a de um licor..em si.. Transfira a bebida

separada do bagaço para um pote de boca larga

tapando-o com 3 ou 4 unidades de véu branco

sobrepostas,fixando-as esticadas com auxílio de

um elástico pressionado na lateral externa. Man

tenha em descanso durante 3 dias para que as

impurezas se depositem no fundo. Concluído is-

so, retire o licor usando uma seringa de 20 ml...

(descartável), passando-o ao recipiente definiti

vo.

Nota: Associar de modo desejável, teor alcoólico

com teor da essência, penso não ser possível

através deste método artesanal. A evaporação

do álcool leva consigo parte proporcional da es-

sência, ou seja, teor alcoólico baixo, consequen-

te diminuição de aroma e sabor...

Fiz isso há 4 anos: fragrância espetacular den-

tro de 43 graus de teor alcoólico. Dizer sobre o

sabor, não posso, porque não tolero bebida al-

coólica... Ass/Jorge Alonso

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

DESFECHO



O mandante do crime, antes de ser sacrificado,

deu algumas características do assassino...

Uma sede de vingança, pelo teor da crueldade

e da perda, tornou-se obsessiva.

02 de novembro: Diante do túmulo, olhava in

conformado a foto dos tres... Em meio à multi

dão, notou estranho o comportamento de de

terminada pessoa; uma Sra aparentando en

tre 70 e 80 anos, deixava escapar um certo in

dício de relação com o momento... Disfarçada

mente, procurou gravar-lhe a fisionomia. Lo

go foi embora, não deixando transparecer o

que percebera... A caminho do apartamento,

pensou consigo: existe algo de concreto nessa

passagem. Depois disso, suspendeu as visitas

por um tempo. Devido à distância, da sacada

era praticamente impossível visualizar com

boa definição, caracteres de uma pessoa no lo

cal; a não ser utilizando-se de binóculo à altu

ra; e isso era fácil. Sondava diariamente, sem

no entanto presenciar o que lhe interessava..

Pode ser paranóia minha, pensou. Porem não

se convenceu. Corria os olhos por toda a área.

Na calçada próxima à Igreja, uma mulher ca

minhava vagarosamente em direção à entra

da. O tipo chamou-lhe à atenção, apesar de

tê-la visto de costas. Aguardou a saída.. Não

havia engano; era a própria.... Passando em

frente ao portão, viu-a olhando para o inte

rior, mais em direção ao que lhe reforçava a

suspeita. Após algumas repetições, decidiu

seguí-la até sua casa. Depois disso, passou

a sondar as imediações da residência...

Ainda que fraca, sua intuição descartava

meras coincidências. Até que um dia viu o

homem; filho dela, provavelmente...

Achara! Prosseguiu, espionando da sacada

o andamento do processo. Houve um dia

em que ela entrou, assim como em outros.

Talvez se sentisse culpada, indiretamente.

Sabia que o autor havia sido seu filho. E na

hora "h" ela seria usada como isca, infeliz

mente. Deduziu que ele conhecia-lhe as an

danças, os hábitos, etc... Portanto iria dar

pela falta no horário de costume. Chegou

o dia. Viu-a entrando na Igreja. Imediata

mente apanhou uma faca, embrenhando-

se no cemitério. Nesse dia ela não entrou.

Mas num outro, sim. Estrangulou-a trai-

çoeiramente. Com a força do ódio, des

troncou-lhe o pescoço, fazendo com que a

posição natural da cabeça se invertesse.

Tirou-lhe a manta que vestia, jogando-a

de bruços sobre o túmulo. Em seguida po

sicionou-se estrategicamente, aguardan

do eventual visita... Escurecia, e os por-

tões já haviam sido fechados. Ele já deve

ria estar dando pela falta dela. Talvez al

gum mal súbito a impedira de voltar...

Saiu à procura. Não a encontrou pelo ca

minho. A Igreja estava fechada. Enxer-

gava-se pouco nesse momento; o luar

ainda era fraco. Pulou o muro e entrou.

Vasculhava os trechos até o ponto onde

não lhe era novidade. Em meio à fraca

luz, deparou com a imagem, tentando

entender o que estava vendo. Mas não

deu tempo de entender nada. A faca en

trou-lhe nas costas. Tombou, vendo a

fria feição da vingança. Colocado ao la-

do do cadáver, teve os olhos levemen-

te perfurados, assim como todo o rosto

retalhado. Cobriu-lhe com a manta,

evadindo-se rapidamente.

PÁGINA VIKING



É tradição nos países nórdicos, uniões nobres
serem celebradas à moda viking...São realiza
das em réplicas das embarcações originais....
Próximo à proa, uma entidade mitológica agi
gantada, sentado num trono, com o tronco e
a cabeça eretos, braços estendidos e as mãos
apoiadas nos joelhos, expira pela boca...va
pores coloridos. À sua frente, ligeiramente a
baixo, o sacerdote, diante de um pequeno al
tar, preside a solenidade, com a embarcação
navegando lentamente através de estreita
garganta entre penhascos... Concluída a eta
pa do altar, conduz os cônjuges ao parapeito
da nau, ordenando-lhes que toquem a encos
ta do rochedo, perguntando-lhes como a sen
tem. Negra, úmida, gelada; respondem-lhe..
Pois assim será a vida daquele que trair.......

Ass/Jorge Alonso

VARIEDADES



A professora...
Joãozinho, urso anda de dois ou de
quatro?
Depende, professora. Às vezes an
da de dois, às vezes de quatro, às
vezes sozinho...

O cardiologista para o paciente:
Por acaso o Sr tem fumado?
Fumado, não. Tenho prá fumar.
O Dr quer um?

O cara tinha uma perna 1 palmo
mais curta que a outra... Prá nin
guem perceber, ele andava com
a mais comprida na rua e a mais
curta na sarjeta...

Jatobá: inimigo nr 1 do céu da boca.

Existe a lenda de que a piton emite
silvos não condizentes com a distân
cia que está da presa...

Ass/Jorge Alonso

VARIEDADES



Dicas de pescador:


Costuma-se segurar o peixe em sua


posição normal...para tirar-lhe o an


zol da boca. Ele se debate, é escorre


gadio..; muitas vezes a pessoa o per


de.. Vire-o de barriga prá cima e as


sim sua mistura estará garantida...





Peixes de porte pequeno; até trinta


cm de comprimento + ou -; na hora


de comê-los, fritos ou assados, apre


sentam o inconveniente de possui


rem espinhos miúdos e numerosos.


Pode-se eliminar esse incômodo da


seguinte forma: Com uma faca fina


e bem afiada, faça cortes laterais


paralelos, bem próximos um do ou


tro, em toda extensão do corpo. As


sim voce poderá saboreá-los...sem


nenhum perigo.





Ass/Jorge Alonso

sábado, 14 de novembro de 2009

AMOR VERDADEIRO



Chegou setembro, e com ele a primavera,

Deus do céu ai quem me dera..ter o amor

dessa mulher...

Vivo pensando...dia e noite...noite e dia...

Que será da minha vida sem a sua compa

nhia ? ?



Ass/Jorge Alonso

TRECHO DA INFÂNCIA



...aí eu fui pro mato

fui fazer uma fogueira

para assar uma rolinha

que matei no laranjal...

PONTOS DE VISTA



= O tempo apaga cicatrizes, mas não doces lembranças...



= A cada nova conquista, novas aspirações...



= Quanto maior a indiferença sobre um valor, maior o valor...



= Do pó vieste, ao pó retornarás...

Dos gases vieste, aos gases retornarás...



=Qual seu nome, querido?

Meu nome é Maldonado...cansado de muito obrigado...um abraço!



= Amai-vos uns aos outros como eu vos amei...

= Crescei e multiplicai-vos...

E o instinto? bau...bau... ? ? ?



= A consciência do perigo faz com que o chamem de medroso...



Ass/Jorge Alonso

HERANÇA



Pai de duas filhas, Sr Tal, beirando já os 100 anos,

deixou em testamento dois de seus mais valiosos

bens. Uma Ótica de primeiro mundo, e uma cade

la chamada Duka; vencedora de vários concursos

mundiais. As herdeiras, duas filhas...de idade tam

bem avançada, já portavam problemas de memó

ria, atenção, concentração; contingência de certas

velhices. Até que um dia Deus resolveu tirar-lhes

o pai. Uma ficou ca Duka, outra ca Ótica...



Ass/Jorge Alonso

NUNCA É TARDE PRÁ SE ARREPENDER



Hafid, comerciante riquíssimo, começou a sentir

que sua saúde declinava... Uma série de proble

mas concomitantes foi se instalando... Chamou o

filho para explicar-lhe o fato: Naim, ma filho: Ba

pá tá muito duente, e acha melhor bassá fortuna

bá Naim...Nossa, bapá! É muita coisa bá Naim...

Ma num tem otro jeito, filho... Bapá pode morrê

a gualqué momento... Só que pelos nossos costu

mes, Naim tem que mostrá alguma habilidade..,

como prova de competência para cuidar de tudo

que vai recebê. Habilidade em que, bapá? Por e

xemplo: Naim terá de mostrá a bapá guê conse

gue begá barbuleta vuandu... Nossa, bapá, esse

tarefa munto difici! Mas a fortuna é muito gran

de, filho! Dá bom, bapá; Naim bromete dedicar

Garoto, ainda; porem ambicioso.. Toda manhã

ia pro campo treinar a agilidade... Dias..meses;

até que pegou o macete. Passava uma, o meni

no pá! Passava outra, pá! Nenhuma escapava.

Voltou prá casa todo feliz, eufórico...

Bapá...bapá !!! Naim brendeu begá barbuleta

vuandu! Ah!.., filho! Bapá tá munto orgulhoso!

Amanhã cedinho, Naim põe bapá na cadera de

roda, e vamo bro mato ver Naim begá barbule

ta vuandu. Não deu outra. O garoto pegava to

das. É pá! É pá! Mais de vinte. Agora, fortuna

toda é de Naim, né bapá !?!!

Ah!.., ma filho querido! Naim nantendeu direi

to o que bapá falô: Naim begá barbuleta vuan

du; NAIM VUANDU ! ! !

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O MISTÉRIO DA CASA PRETA



Um velhinho, já com seus 90 e tantos anos, começou


a ter sonhos desagradáveis, que foram se transfor


mando em pesadelos. Via-se no interior de uma casa


escura, em meio a arbustos. Ao invés de piso, era ter


ra nua. Vermes entravam e saíam, parecendo alimen


tarem-se de algo ali existente. Despertava aflito, sem


uma explicação. Ouvia gritos, depois..silêncio.., em se


guida soluços. Encravados nos arvoredos, semblantes


mórbidos, bizarros. Lutava a todo custo prá sair dali;


até que seu subconsciente resolveu lhe dar uma tré


gua, levando-o a uma chácara, onde costumava jogar


futebol com os amiguinhos de infância. Quando já can


sados, iam ao tanque beber água na varanda do casei

ro. Brincando ali, sentados no chão; de repente um gri

to no quintal vizinho. Criança curiosa, correu em dire

ção, subindo na cerca... Um rapaz havia se enforcado

numa jaboticabeira. No sonho viu com exatidão a cena

presenciada na infância. Depois disso, viveu mais alguns

anos; sem sonhos, sem pesadelos.



Ass/Jorge Alonso

FELTRO VERDE



Palco nocivo. Raciocínios rápidos, dedos habilidosos,


expressões enganosas, astúcia...Não raro, a quantia


em jogo elimina freios.. A individualidade impera so


bre tudo; atenta. Prenuncia-se a fatalidade. Baixam


se as cartas: um royal e uma quadra de ases. Um de


les desce a mão em busca da arma . . No mesmo ins


tante a destreza do adversário faz surgir do interior


da manga a navalha já aberta, golpeando-lhe no pes


coço. O disparo atingiu-lhe a perna. Caracterizando


legítima defesa, permaneceu detido até concluir-se


o processo. Nesse intervalo, uma resposta: Esposa


e filho ainda criança, amarrados em posição de abra


ço, tiveram seus corpos queimados; a mando de pes


soa ligada ao assassinado. Cumprido o tempo na pri


são, juntou-se ao cunhado...na devolução da cruelda


de. Sabiam de quem se tratava. Estudaram o plano,


escolhendo método o mais digno de aplicação. Tudo


preparado, pagaram boa quantia para que dois pro


fissionais o trouxessem até o porão de uma casa dis


tante do lugar. Preso e amordaçado num tronco de


fronte à parede onde um poster mostrava uma foto


recente da família desunida.. Com uma tesoura cor


taram-lhe as pálpebras. A cada dia iam quebrando


lhe os ossos com uma barra de ferro. De tempo em


tempo um pano úmido na boca prá evitar que mor


resse antes da hora. Quando a agonia terminou, en


terraram-no ali mesmo.


Fica a dúvida: Quem roubou? Até quando irá o de


sempate?



Ass/Jorge Alonso

CÓPIA MALDITA



Suas vítimas poderiam classificá-lo, se ao menos

atentassem para o péssimo disfarce. A cópia faci

lita o processo. Diante do original, quebra o nari

zinho. Nada vibra no monte de dinheiro que dá o

recado. Percebe, não sente... Modela a face falsa,

de costas para o próprio punhal; porque tambem

é cópia.. Nasce, "cresce", envelhece, adoece, mor

re. Assim...por todos os séculos e séculos...



Ass/Jorge Alonso

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

PIADAS



Fulano de tal, homem rico, casou-se com a irmã de um

boa-vida. Perturbava-lhe ver o cunhado toda hora pe-

dindo dinheiro à esposa. Certo dia explodiu: Voce é um

vagabundo ordinário, aproveitador, oportunista...

Êpa! Isso não admítô! Oportunista é teu irmão, que se

vale da cegueira prá vender bilhêtê...

PIADAS



Irmãos gêmeos:

José Benedito e João Benedito. Um nasceu perfeito, o outro

faltando um rim. Este, na adolescência, contraiu doença gra

ve no orgão. Necessitava de transplante...urgente. O irmão

doou. Não houve rejeição; tudo se normalizou.. Após algum

tempo, o doador teve problema idêntico. Ficou na fila de es

pera. Como o mal evoluira rapidamente, não lhe dando tem

po, faleceu. Ficou o dito pelo não dito.

PIADAS



Conversa de pescadores

O #ricaço e o %caipira



#Viu...Zé.. Peguei um peixe no Amazonas; precisou cortá-lo em

3 pedaços...porque inteiro não cabia na carroceria do caminhão

%Pô!..Bicho grande, hein.. Pur aqui num dá desse tamanho..não.

Agora, cobra, dá umas cumprida, viu...

#Ah..é!?...Tu viste alguma?

%Puis é! Dia desse saí cedinho pá pescá...Chegô num ponto, tívi

de pará. Tinha uma travessano a estradinha. Como tava demora

no, dei ré e fui pur ôtro caminho...

#Caramba!? Qui tamanho tinha essa cobra?

%Num sei dizê...puquê quando eu vinha vortano di tardizinha...

...tívi de dá ré traveiz...

COISAS DO SERTÃO



Dois irmãos em férias, amantes da pesca, decidiram dar um passeio

pelo interior do país. De posse do equipamento necessário, partiram

certa manhã com destino à Barra do Garça-MT, onde o tio possuia

uma fazenda. Acomodaram-se no rancho do pesqueiro; uma constru

ção de tijolos, pequena e modesta. Ambiente preservado, belezas na

turais inigualáveis. Divertiam-se com a variedade e fartura da pesca

ria. Andavam por toda parte, contemplando um mundo que até en

tão desconheciam; uma natureza ainda intocada. Isso tudo sem con-

tar a tremenda higiene mental que faziam. O tempo em que lá per

maneceram, souberam aproveitá-lo bem. Não obstante, um episódio

triste fora tambem presenciado, infelizmente. Ocorreu numa tarde,

logo após o almoço, quando saíram à procura de quem negociasse

pequenos animais silvestres. Pelo caminho iam vendo os ranchos, os

casebres, bem como casas simples, do nível da que se hospedavam..

Passando em frente a uma delas, perceberam que o clima era de fes

ta. Havia várias pessoas, na maioria crianças, alem de alguns veícu

los estacionados. Através da janela, viram sobre a mesa um bolo en

feitado, com uma velinha número 8 na superfície.. Alguma criança

aniversariava. Notando os estranhos do lado de fora, uma garotinha

veio em direção, perguntando-lhes quem eram.. Somos pescadores,

viemos conhecer o Mato Grosso. E voce, quem é? Sou irmã do meu

irmão qui tá fazendo aniversário. Daqui há pouco trago dois pedaços

de bolo. Obrigado pela gentileza, disseram. Em seguida a menina cor

reu prá dentro. Logo surgiu um garoto, pondo-se em pé diante do

bolo. Cabelos ainda úmidos, penteados à moda americana, vestia ca

misa de mangas compridas, gravata borboleta, calças curtas, sapa

tos escuros e meias brancas. Do lado de fora os irmãos observavam

a cena. Reunidos ao redor da mesa, um deles acendeu a velinha. En

quanto cantavam parabéns, subitamente o menino levou as mãos

ao peito, desfalecendo...vítima de colapso. Uma reação instintiva fê-

los abandonarem o local. Algum tempo depois chegaram a um vila

rejo. Iam perguntando às pessoas se conheciam no lugar alguem

que vendesse bichos do mato. Informados de que em tal Rua mora

va um caçador, para lá se dirigiram. Chegando à casa, bateram pal

mas. Pela lateral externa, veio dos fundos um macaco, vestindo cal

ção e camisa de mangas curtas, com um maço de quebrapeito e

uma caixa de fósforos no bolso. Com seu andar típico, aproximava-

se batendo o dorso dos dedos na parede, como um ser humano...

Trepou no portão, ergueu o trinco, e com o pé apoiado na mureta

deu impulso para abrí-lo. Os dois entreolharam-se...perplexos. Co

mo não entravam, o animal timidamente fez despontar os olhos de

trás da madeira. Tudo é possível, disse um deles, e entraram. Iam

na frente...e o bicho educadamente os acompanhava. Na varanda,

várias pessoas sentadas ao redor de uma mesa farta. Arroz, feijão,

carne, batata, verduras, vidros de pimenta, garrafas de pinga, cer

veja, refrigerante... Sintam-se em casa, disse um deles. Estão che

gando na hora certa. Sentimo-nos gratos pela cordialidade; é que

acabamos de almoçar nesse instante. Estamos procurando um ca

sal de araras, e nos informaram que aqui mora um caçador. Sou...

eu..mesmo! Só que no momento não disponho de nenhum; agora

não é época. Teriam que voltar mais próximo do final do ano. Não

sabemos se será possível. Estamos a passeio; moramos muito lon

ge daqui. Mesmo assim agradecemos-lhe mais uma vez a atenção,

tendo sido um prazer conhecê-los. Despediram-se em seguida......

domingo, 1 de novembro de 2009

O GATO ELÉTRICO



M.S.M., sexo masculino, maior, comerciante, sempre fôra benquisto em seu círculo social.

Boa pessoa, tinha lá seus defeitos... Às vezes, entregava-se a prazeres mundanos: drinks

a mais da conta, jogo, mulheres.., até uma droguinha..quando pintava, não deixava passar

em brancas nuvens. E assim foi viciando. A coisa se impunha sem que se desse conta. Com

o passar do tempo, sua sensibilidade aos entorpecentes foi mostrando a cara. Teve reações

graves, até que um quadro típico instalou-se. Foi quando sentiu necessidade de tratamento.

Internou-se de livre e espontânea vontade, tal era o sofrimento que vinha experimentando.

Apesar de seriamente afetado, lutava pelo retorno. Via ameaçado o elo de ligação com as

pessoas, com a realidade. Via-se diante do inelutável. O tempo passava devagar. Após me

ses internado numa clínica psiquiátrica, começou a apresentar sinais de melhora. Foi quan

do lhe deram alta. Começava o processo de reintegração. Sentia-se inseguro, temeroso, so

cialmente deslocado. Depressão e ansiedade severas...dominavam-no. Lutava para não es

corregar; sabia que não teria volta. Passavam-se os dias; nada mudava. Ligou certa tarde

para um amigo que conhecia seu problema. Possuia um sítio onde M.S.M. costumava fre

quentar no passado. Apesar de nunca ter tido ligação com drogas, mesmo assim sempre

mantiveram amizade sincera e respeito mútuo. Cansara de alertá-lo para o mal que aqui

lo lhe causava, mas de nada adiantou. Durante a conversa, pediu ao amigo se poderia pas

sar algum tempo na propriedade, visto que lhe seria terapêutico o contato com a nature

za. Na propriedade havia duas casas modestas; seria possível que uma delas estivesse va

ga. Claro que sim, M. , respondeu-lhe. Voce pode ficar na que está desocupada, e terá a

companhia do caseiro, que se hospeda na outra. M.S. agradeceu-lhe a hospitalidade, dizen

do que partiria na manhã seguinte. O esquema estava montado; infelizmente fracassara.

Naquela noite comprou a quantidade que considerava suficiente. Saiu logo ao amanhecer.

Lá chegando, fez breve contato com o empregado, dirigindo-se em seguida ao local onde

ficaria hospedado. Era cedo ainda. Apanhou a mala, a muamba, e entrou. Abriu as janelas

e foi se acomodando. Vestiu short e camiseta, depois sentou-se na varanda. Acendeu um

cigarro, e ali permaneceu bom tempo, fitando o vazio. Da casa do empregado vinha um a

gradável aroma de alimento fresco. Logo convidou-o para almoçar. Aceitou...embora não

estivesse com o menor apetite. Após o almoço resolveu deitar-se. A cabeça não se desliga

va da droga; parecia não haver lugar para mais nada. Passava das 17 hs. Levantou-se, pe

gando uma porção do entorpecente. Andando devagar, seguiu por um caminho em meio

à vegetação. Passou por um milharal, continuando até dar num riacho. Ali parou, olhando

o movimento da correnteza. De vez em quando o ruído da bicharada quebrava o silêncio

do lugar. Consumiu certa quantidade da droga, não tardando os primeiros efeitos. As sen

sações agradáveis vinham-lhe em forma de lembrança, predominando um mal estar ge

neralizado. Enquanto olhava fixamente um determinado ponto no chão, viu desenhar-se

uma cobra, começando pelo focinho, formando o contorno da cabeça, e o resto do corpo a

brindo-se como um leque, à medida em que se prolongava. Durou alguns segundos...de

pois desapareceu. A caminho de volta, já quase escuro, sentia-se desolado, fora de sinto

nia. Chegando à casa, deitou-se. Os pensamentos vinham-lhe de forma desordenada...;

não conseguia mentalizar nada. Convidado a jantar, recusou, dizendo-se sem apetite. An

siava pelo amanhecer, pela volta. Passavam-se as horas; não era capaz de conciliar o so

no. Fazia calor; resolveu acomodar-se no chão de piso frio. Virava-se dum lado, do outro,

e nada. Estava extremamente excitado. Em dado momento viu sob a cama a imagem de

um pequeno felino, sentado, com as orelhas em pé, atento. Seus pelos espessos e arrepia

dos eram reluzentes. Os olhos pareciam duas bolinhas de fogo. Da mesma forma, durou

um certo instante...e sumiu. Assim que amanheceu deixou o sítio sem se despedir. A ca

minho de casa, já na pista, em alta velocidade, derrapou numa curva, perdendo o contro

le do carro. Capotou várias vezes até se chocar contra uma pilastra. Teve morte instan

tânea. M.S.M. conhecia bem a estrada! Suicídio!?